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Wardell Gray (1921 - 1955) foi saxofonista tenor que tocou nos períodos do swing e do bebop. Hoje muitas vezes esquecido, Gray tinha um estilo único, um tom incomparável e uma forte presença. Wardell Gray nasceu em Oklahoma City, e era o caçula de quatro filhos. Seus primeiros anos da infância foram passados em Oklahoma, antes de se mudar com sua família para Detroit, Michigan, em 1929. Em 1935 frequentou a ‘Cass Technical High School’ que teve o trompetista Donald Byrd, o saxofonista Lucky Thompson e o baxista Al McKibbon como ex-alunos. Gray saiu em 1936, antes de se formar. Aconselhado por Junior Warren começou no clarinete, mas inspirado depois de ouvir Lester Young em registro com Count Basie mudou para o saxofone tenor. O primeiro contrato de trabalho de Gray foi com um pequeno grupo e depois fez um teste com Dorothy Patton, uma jovem pianista que estava formando uma banda. Um ano após mudou para a banda de Jimmy Raschel e depois para a de Benny Carew. Conheceu Jeri Walker, uma jovem dançarina de Nova Jersey, que por sua vez conhecia o pianista Earl Hines, e o persuadiu a contratar Gray. Esta foi uma grande oportunidade para o jovem de 21 anos, com a orquestra de Earl Hines que não era apenas nacionalmente conhecida, mas nutriu as carreiras de alguns dos músicos emergentes do bebop, incluindo Dizzy Gillespie e Charlie Parker. Tocar com a banda de Hines era uma experiência maravilhosamente viva e estimulante para o jovem tenor. Wardell Gray ficou cerca de três anos com Hines, e amadureceu rapidamente durante esse tempo, logo se tornou solista, e as gravações da banda mostram a influência de Lester Young. Gray deixou Hines no final de 1946 estabelecendo-se em Los Angeles onde gravou a primeira sessão com seu próprio nome com apoio de Dodo Marmarosa no piano. Em Los Angeles, Wardell trabalhou em uma série de bandas como na do saxofonista Benny Carter, com o cantor e pianista de blues Ivory Joe Hunter, e com o pequeno grupo que apoiou o cantor Billy Eckstine em uma excursão. Mas o foco real em Los Angeles eram os clubes ao longo da Central Avenue, que ainda era próspera. Nos clubes desta avenida que Wardell realizou ‘batalhas’ com o tenor Dexter Gordon. Batalhas que se tornaram uma espécie de símbolo para a cena musical da Central Avenue e o produtor de jazz Ross Russell conseguiu levá-los a simular uma de suas batalhas em ‘The Chase’ que se tornou a primeira gravação de Wardell Gray nacionalmente conhecida e tem sido avaliada como uma das competições musicais mais emocionantes da história do jazz. O sucesso de ‘The Chase’ foi a ruptura que Wardell necessitava, e ele se tornou cada vez mais proeminente em sessões públicas e em torno de Los Angeles, incluindo o ‘Just Jazz’ uma série de jam sessions organizadas pelo discotecário Gene Norman. Em um show na virada do ano de 1947, que também contou com Benny Goodman, Wardell impressionou o clarinetista que o contratou para um pequeno grupo onde começou o seu flerte com o bebop. No entanto, o grupo não foi um sucesso financeiro e Goodman o desfez, mas Wardell ficou conhecido. Por um tempo no final de 1949 ele trabalhou com a orquestra de Count Basie ao mesmo tempo gravou com o pianista Tadd Dameron em um excelente quarteto e em sessões de um quinteto, com o pianista Al Haig, um dos pioneiros do bebop. A sessão incluía ‘Twisted’, um das mais conhecidas gravações de Wardell. Pouco tempo depois deixou Count Basie para retornar a Benny Goodman. No entanto, a vida na banda de Goodman tornou-se cada vez mais desagradável para ele. Goodman não era um empregador fácil, e as constantes viagens, fez Wardell cada vez mais infeliz o que o fez voltar para Count Basie que por pressões econômicas havia dissolvido a sua big band formando um septeto que incluía o trompetista Clark Terry e o clarinetista Buddy DeFranco. Esta configuração foi mais feliz para Wardell e o grupo teve algum sucesso. A única desvantagem para trabalhar com Basie, que tinha ampliado seu grupo novamente para o tamanho de uma big band, eram as viagens constantes, e Wardell finalmente decidiu sair para poder ficar em casa com sua nova esposa. A decisão foi compreensível, mas do ponto de vista musical se arrependeu de sua decisão. O trabalho na área de Los Angeles tornou-se escasso para músicos negros e Wardell tinha que viajar com freqüência em busca de trabalho. No entanto, a vida em casa era boa.
Nessa época suas sessões de gravação também começaram a rarear, embora uma sessão ao vivo com Dexter Gordon, recriaram as excitações da Central Avenue. Também em torno deste período ele se envolveu com as drogas. Como isso aconteceu dada a sua maturidade e sua compreensão das consequências, ainda é um mistério. Seu modo de tocar ficou menos fluente, e uma sessão de estúdio em 1955, que seria a sua última, mostra isso. Mesmo assim ele trabalhava regularmente. Quando Benny Carter foi contratado para abertura do ‘Moulin Rouge Hotel’ ele chamou Wardell que freqüentou assiduamente os ensaios, mas, quando o clube abriu Wardell estava ausente. No dia seguinte ele foi encontrado morto com o pescoço quebrado em um trecho de deserto nos arredores de Las Vegas. Oficialmente a sua morte foi tratada como acidental. Para muitos foi suspeita por conta de sua associação com o chefe da máfia Meyer Lansky, que, juntamente com seu sócio Charles ‘Lucky’ Luciano, foi fundamental para o desenvolvimento do ‘Sindicato do Crime Nacional’ nos Estados Unidos. Durante décadas ele foi uma das pessoas mais poderosas do país.
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