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Bud Powell (1924-1966), garoto prodígio do Harlem começou a tocar piano com cinco anos de idade; aos sete já era levado por músicos de jazz a concertos e ensaios para ser admirado; e aos dez já imitava músicos como Fats Waller e Art Tatum, sendo este último a maior influência sobre ele. Na adolescência conheceu seu amigo, guru e admirador Thelonious Monk. Excêntrico e solitário, aos vinte anos, levou pancadas na cabeça de um policial durante uma briga de bar. Como consequência tinha fortes dores de cabeça, e ainda maior estado de ausência. Foi internado de hospital em hospital. No entanto, no mesmo período ajudou a criar, ao lado de Charlie Parker, Thelonious Monk e Dizzy Gillespie o bebop. Powell era um dos únicos músicos capazes de desafiar Charlie Parker em duelos, como os de ‘Round Midnight’, em histórica gravação ao vivo no 'Birdland', clube localizado na Broadway e inspirado em Yardbird, apelido formal de Charlie Parker. Em 1941, Bud Powell já era um nome relativamente conhecido no meio musical nova-iorquino e foi convidado pelo ex-trompetista da orquestra de Duke Ellington, Cootie Williams, para excursionar com sua banda. Agravaram-se seus problemas com a bebida, e passava dias perambulando pelas ruas, voltando para casa com a ajuda de amigos como o então adolescente e admirador Jackie McLean, que cuidou dele durante certo período.
Anos mais tarde, foi preso junto com Thelonious Monk por porte de drogas e foi mais uma vez mandado para uma instituição psiquiátrica, onde permaneceu por um ano e meio. Lá recebeu sessões de eletrochoque e só lhe foi permitido tocar piano uma vez por semana, sob supervisão. Sua memória foi seriamente danificada, não se lembrando de amigos próximos, como Monk, e não reconhecendo gravações suas. Ao sair estava ainda mais alterado; seu estilo ficou definitivamente prejudicado, e durante os anos 50 suas apresentações são por vezes geniais e freqüentemente paupérrimas. Em 1959 mudou-se para Paris, acompanhado de uma moça a quem chamava de ‘Buttercup’ (algo como ‘chuchu’) e que se dizia sua esposa; no entanto, nunca foram casados. Tempos mais tarde, seu amigo Francis Paudras descobriu que a tal moça lhe dava doses diárias e cavalares de calmantes, e junto com Johnny Griffin o afastou dela. Bud Powell melhorou e voltou a compor. Compõem ‘In the Mood for a Classic’, dedicada ao povo francês, que tanto apreciava a sua música e o tratou com muito carinho nos cinco anos que lá viveu. Francis Paudras conseguiu agendar seis semanas para o amigo no ‘Birdland’ e Bud Powell recebe mais atenção em seu retorno do que em toda sua carreira, e esse retorno foi um sucesso. Não muito tempo depois o comportamento irregular de Powell atrapalhou seus planos novamente, e o contrato de seis semanas foi cancelado antes de seu término. Solitário, e vagando por New York, Powell retornou à sua vida auto-destrutiva. Voltou a beber descontroladamente, o que o levou à morte por cirrose hepática aos 41 anos. Apesar do curto tempo de vida, passado, em grande parte, em instituições mentais, e das poucas gravações, Powell figura entre os maiores nomes do jazz. (por Fernando Jardim)
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