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Thelonious Monk (1917 - 1982), compositor e pianista e considerado um dos mais importantes músicos do jazz era famoso por seus improvisos de poucas e boas notas. Preciso, fazia com duas ou três notas o que outros pianistas faziam com nove ou dez. Cada nota entrava perfeitamente no contexto da música, numa mistura melódica e rítmica. Somente notas necessárias e muito bem trabalhadas. Monk tinha um estilo único, tocava encurvado, com uma má postura, além de seu dedilhado ruim, com os dedos rígidos, que ficavam perfeitamente eretos e batiam nas teclas tal qual uma baqueta faria em um tambor. Excêntrico, não era muito bem visto pela crítica da época, porém era unanimidade entre os jazzistas. Compunha melodias e criava ritmos nada comuns. Compôs vários temas que hoje são considerados standards. Apesar de ser lembrado como um dos fundadores do bebop, seu estilo, com o passar do tempo, evoluiu para algo único, próprio, com harmonias dissonantes, com abruptos ataques ao piano e uso de silêncios e hesitações. Thelonious Sphere Monk nasceu na Carolina do Norte, EUA. Em 1922, sua família se mudou para Manhattan, New York. Monk começou a tocar piano aos nove anos de idade e apesar de ter tido aulas formais era, essencialmente, um auto didata. Monk dizia ser influenciado por Duke Ellington e James P. Johnson. Sua técnica desenvolveu-se muito quando participava de competições que reuniam os grandes solistas de jazz da época no ‘Minton Playhouse’, clube e bar localizado no primeiro andar do Hotel Cecil, no Harlem, e fundado pelo saxofonista tenor Henry Minton. A cena musical desenvolvida no Minton foi essencial para a criação do bebop e aproximou Monk de outros grandes nomes desse estilo, como Dizzy Gillespie, Charlie Christian, Kenny Clarke, Charlie Parker e, mais tarde, Miles Davis.
Em 1944, Monk fez sua primeira gravação de estúdio com o quarteto de Coleman Hawkins, um dos primeiros músicos a confiar no talento de Monk, tendo este retribuído o favor anos depois ao convidar Hawkins para uma sessão em 1957 com John Coltrane. Monk sempre é descrito como um homem excêntrico, peculiar. Era conhecido pelo seu característico estilo hipster, um movimento que despreza tudo o que está na moda, tudo o que é comercial e tudo o que a maior parte da população ouve. Monk e Dizzy Gillespie são imagens emblemáticas da cultura hipster dos anos 40 e 50 e por ter desenvolvido um estilo único. Monk era também famoso por emitir aforismos impenetráveis e por permanecer em longos períodos de muda abstração, para diversão e perplexidade dos que o rodeavam. Há uma gravação famosa de ‘The Man I Love’ em que Miles Davis perde a paciência com um longo intervalo silencioso num solo de Monk e entra no meio, como se quisesse acordar o pianista. O documentário ‘Thelonious Monk: Straight, No Chaser’ de 1989, produzido por Clint Eastwood e dirigido por Charlotte Zwerin, atribui seu estranho comportamento a doenças mentais. Não há notícias de diagnósticos oficiais, mas Monk várias vezes ficava muito animado por dias e, aos poucos, parava de falar e recolhia-se. Alguns culpam o comportamento de Monk pelo uso inadvertido de drogas como LSD e peiote. Outros clínicos sustentam que Monk foi mal-diagnosticado e lhe foram dados medicamentos que causaram-lhe sérios danos cerebrais. Monk desapareceu no meio dos anos 70, fazendo poquíssimas apresentações em sua última década de vida. Com sinais de depressão e péssimo estado de saúde, Monk, então, passou seus últimos seis anos de vida na casa de sua velha patrocinadora e amiga, a Baronesa Nica de Koenigswarter, que cuidara também de Charlie Parker durante sua última doença. Monk não tocou piano nesse período, apesar de haver um em seu quarto, e falou com pouquíssimas pessoas. Por fim, sofreu um AVC e morreu. Monk compôs ao longo de sua vida apenas 71 temas. Ainda assim, é considerado um dos poucos grandes compositores do jazz. Muitas de suas obras são referências pela sua brilhante, única e, muitas vezes, bizarra forma de linguagem em relação ao jazz clássico, o chamado padrão. Desde sua morte, sua música vem sendo descoberta por um público maior e é sempre posto ao lado de grandes nomes do jazz, como Miles Davis, John Coltrane e Bill Evans.
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